quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A Carta...


... E o vento aproximou-se, depois de ter seguido aquele perfume familiar de flores, o aroma era mais marcante, adocicado, misturado com o cheiro natural da pele daquela mulher de olhar entristecido, vestida com um belo vestido.
Numa mesa em uma praça, sentada em um banco de pedra, escrevia uma carta, com disseres que só DEUS sabia, as lágrimas desciam e o vento soprou os seus cabelos e os levantou sobre a sua nuca, havia uma pequena tatuagem de um Sol e uma Lua, como se as duas fossem apenas uma.
E o vento, não parecia se conter, com tanta curiosidade queria entender do porque de sua tristeza e sem que a mulher esperasse, a roubou, levou a sua folha para longe, ventou e ventou...
E o ventou olhou para trás, se emocionou a vê-la chorar, não entendeu de tanto pranto, mas também se emocionou. Por instante ele sossegou, a mulher se levantou e pegou a sua folha de volta e novamente se sentou.
O vento tornou-se brisa e de bem de perto a observou, ela nem imaginou que alguém assistia a sua dor.
E vento naquela praça ventou sobre as copas das árvores e perguntou, por que de tanta dor?
E as árvores responderam, pela expressão dos seus olhos, provavelmente é uma carta de amor, uma triste despedida, afinal a mulher está tão sentida.
E quando a mulher se levantou, guardou a sua carta na bolsa grande e vermelha, o vento assoprou, como se fosse um suspiro, como se fosse um pequeno rodamoinho, envolveu-a com a sua dor.
A carta, que foi envelopada, estava com cheiro de flor, o perfume das mãos da mulher o papel roubou.
Foi se embora, sem que ninguém soubesse do seu destino, dizem que o vento ainda sente o seu perfume adocicado de flores, provavelmente ela continua por perto, isso é quase certo. Mas, a respeito da carta, ninguém soube qual o fim levou, se era de despedida ou uma carta de amor.

Lucy Coelho
03.08.2016