quarta-feira, 9 de novembro de 2016

... Eram dias quentes, secos, o ar parecia que pairava sobre as cabeças, nada saía do lugar, nem um fio de cabelo e nem sequer um grão de areia...
Os milhos no milharal já haviam sido dados como perda total, o agricultor sentou-se na sua simples varanda da sua humilde casa. Seu rosto marcado pelo Sol e pelo tempo, seu cachimbo na mão, balbuciava uma oração: - Senhor, mais uma vez os céus nos castigou, mas eu cheguei até aqui Contigo e sei que não serei desamparado, pois Tu, o Deus da minha provisão, estará mais uma vez comigo.
- Velho, passei um cafezinho – Gritou a senhora daquela cozinha que havia alegria, o radinho de pilha, tocava no volume máximo, não era tão alto assim, só o suficiente para distrair a tristeza.
- Vá ordenhar a vaca, meu velho, eu quero leite... E se levantou o velho homem, apoiando-se nos braços da cadeira. O cão, o seguiu para o pequeno celeiro, que ainda havia poucos animais, mas o suficiente para sobreviverem. Ele era um homem de grande fé e tinha a amada da sua juventude, tudo iria dá certo, havia naquele lugar muita luta, mas nenhuma desistência, porque havia esperança plantada em todo tempo e em todo tempo dava os seus frutos.
Nesse ambiente de crise, havia um corvo, que os assistiam de longe. Era um corvo estranho, desagregado de seus parentes...
Parecia um milagre, em meio ao milharal perdido, havia uma espiga, pasmem! - Estava bem sadia - Hummmm! – pensou o corvo - Ela certamente vai ser minha.
Então, voou e a admirou muito, deveria tê-la comido logo, nem pensado muito... Mas, admirou-a por um longo tempo, como poderia ser tão perfeita?
E, não teve coragem de devorá-la, e voou para longe dela.
O velho no passado fabricava cachaça com mel e não foi que o corvo entrou pela janela do velho sótão e achou uma velha garrafa. Abriu, bebeu e dormiu até que a noiteceu.
E, com muito fogo, foi até a espiga, espero que entenda quem não crer em fantasia, a chegar ao meio daquele campo morto, se encontrou com a única vida que havia, com a bela espiga.
E a espiga tornou-se uma linda menina e o corvo, em um belo rapaz. E a música do radinho de pilha que vinha da velha cozinha invadiu o morto campo, o vento finalmente soprou. E as mãos se entrelaçaram, dançaram e dançaram em um lindo balé, até que a primeira luz da aurora os cobriu... E o corvo voou e a espiga caiu no chão.
O cão, não parava de latir, o velho se levantou, abriu a porta armado da velha espingarda e a velha pediu: - Não vá! –Estava bem nervosa... O Velho seguiu o seu fiel cão, até o meio do campo. Olhou para todos os lados, naquele campo seco não havia nada. Então, quando ele dava uma meia volta, para voltar para sua casa, viu no chão a mais bela espiga de milho que já havia visto em toda sua vida, no seu velho rosto surgiu um sorriso e logo após uma lágrima...
Era a sua velha esperança que, o velho jamais deixou morrer.

O velho e o milharal
Lucy coelho
05/11/2016